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Uma competência emocional para escrever | Entrevista com Luci Collin

Luci Collin (@luci.collin), poeta, ficcionista, tradutora e educadora curitibana, tem mais de vinte livros publicados. Foi finalista do Prêmio Oceanos com Querer falar (poesia, 2014). É autora de A árvore todas (contos, 2015), A palavra algo (poesia, 2016, Prêmio Jabuti), Papéis de Maria Dias (romance, 2018), Rosa que está (poesia, 2019) e Dedos impermitidos (contos, 2021). Participou de diversas antologias nacionais e internacionais (nos EUA, Alemanha, França, Uruguai, Argentina, Peru e México). Com Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês (USP, 2003), é professora aposentada do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR. Ocupa a Cadeira nº 23 da Academia Paranaense de Letras.

A ideia de originalidade, “de perseguirmos algo “novo”, nunca dito anteriormente”, não é válida para Luci. E para ela, é preciso “buscar, acolher, reverenciar a palavra.”


Caixa-preta é o quadro de entrevistas deste blog. E sendo caixa-preta “qualquer sistema, organismo, função, etc., cujo funcionamento ou modo de operação não é claro ou está envolto em mistério”, representa uma ideia que se aproxima da literatura.

Na sexta-feira, a cada quinze dias, confira uma nova entrevista.


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O que a escrita causa em você?

Muita emoção, tanto pela oportunidade que o momento – da escrita e da leitura – suscita enquanto ato de comunicação, quanto o que esse ato alimenta em termos de percepção e compartilhamento, aqui tomados amorosa e filosoficamente.

Qual a maior aventura de uma escritora?

Enveredar por certos temas cuja profundidade nem sempre temos domínio; é uma aventura que requer um tempo de amadurecimento que, às vezes, leva muitos meses até termos uma certa “competência emocional” para colocar aquilo no papel de um modo que soe genuíno.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Avalovara, de Osman Lins.

Que livro você jamais escreveria?

Um de culinária (sim, não venderia uma cópia).

O que ainda falta ser dito em literatura?

Essa ideia de originalidade, de perseguirmos algo “novo”, nunca dito anteriormente, não reverbera pra mim. Me encanta o dictum modernista de Pound “tornar novo”, que considera a importância de uma estética livre e de renovação, num movimento que belamente  integra e reintegra expressões e linguagens numa “tradição do novo”.

Livro bom é…

aquele com o qual estabelecemos uma relação intensa que prevê muitos retornos, muitas leituras ao longo da vida, aquele que sugere e propicia mudanças no seu olhar, no seu pensamento, no seu jeito de sentir, aquele que faz transbordar – em forma e conteúdo – os elementos mais intrínsecos do que é um objeto de arte e, em sua dimensão mais profunda, do que é a Arte e si.

Escritora é uma criatura…

curiosa, observadora, emocionada, reverente, cúmplice, feliz.

Qual o papel de uma escritora na sociedade?

O papel do artista – sensibilizar, emocionar, suscitar a reflexão via o apelo/impacto estético. Em tempos de desequilíbrio social como vivemos, a escrita tem a capacidade de recuperar e redimensionar a nossa humanidade.

Qual o maior aliado de uma escritora?

A observação profunda.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Mantendo a liberdade na escrita, deixando que as palavras cheguem sem pressa.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Muitos momentos de emoção subjetiva são inexprimíveis. A primeira vez que uma mãe vê o rostinho de um filho, por exemplo.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Olha pro bambu.

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Não só para o Brasil atual, mas desde/para sempre: “Amor e igualdade”

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Com auto-respeito, considerando que a criatividade é algo que pode oscilar e que a página em branco não é um campo de batalha. Se a escrita não vier, virá em outro momento. E se ela está vindo como um jorro, então, respirar e deixá-la se espraiar pelo espaço a ser habitado pelas palavras. 

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Leria. Também varreria as folhas da calçada.

A literatura em uma palavra.

Comoção.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

O prazer e a emoção de dividir experiências, seja lendo, seja escrevendo, seja falando sobre literatura.

Qual sua definição de felicidade?

Estar viva!

O que faz você continuar escrevendo?

O fato de eu acreditar no poder transformador da palavra. Vamos buscar, acolher, reverenciar a palavra.

*Entrevista organizada ao som do disco O silêncio, do Arnaldo Antunes


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Vanessa Passos

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