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Palavras vãs | Entrevista com Bruno Paulino

BRUNO PAULINO (@brunopaulino123) é quixeramobinense graduado em Letras/Português pela Universidade Estadual do Ceará. Escritor e professor de Língua Portuguesa da Rede Pública de Ensino. O autor é uma das referências quando se fala em Literatura no Sertão Central do Ceará. Dedicando-se a pesquisar a história de escritores ligados a região, no seu livro Sertão: poetas e prosadores (2016) traça perfis literários de alguns desses escritores, destacando, sobretudo, os residentes em Quixadá e Quixeramobim. Bruno organizou as antologias Eu Conto com Nossa Senhora e Cinco Inscrições da Mortalidade. Também publicou contos e textos em cordéis. E com Salmos para orquestrar silêncios encerra a trilogia poética de Celebração do Divino Mistério.

Para Bruno, escritor é um ser “desambientado” neste planeta. E para a escrita, ele acredita na regra de São Bento: “Ora et labora, Deus adest sine mora”.



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O que a escrita causa em você?

Um prazer e um cansaço, uma alegria e um aborrecimento. Freud talvez explique.

Qual a maior aventura de um escritor?

Sentar para escrever e, imerso no processo, esquecer o leite fervendo no fogão, a porta da garagem aberta, um compromisso com a namorada. Essas coisas do cotidiano, que, quando a gente esquece, geram uma dor de cabeça dos diabos.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Cem Anos de Solidão, do Gabriel García Marquéz. Amo em demasia esse livro. E o releio sempre que posso e sinto necessidade.

Que livro você jamais escreveria?

Já me arrependo dos que escrevi e publiquei… prefiro não aumentar a lista.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Acho que tudo já foi dito, ou quase tudo, a questão é como dizer. Ou seja, o problema é de forma, não de conteúdo. Ser escritor também é meio isso, buscar outras formas de dizer o que já foi dito.

Livro bom é…

aquele que a gente anda com ele pra cima pra baixo e enche o saco dos amigos falando sobre: “Sabe aquela passagem do Jorge Amado…”

Escritor é uma criatura…

que caiu de um disco voador e tá “desambientado” aqui nesse planeta.

Qual o papel de um escritor na sociedade?

Encher de palavras vãs as prateleiras, como diria o Caetano Veloso num verso de canção.

Qual o maior aliado de um escritor?

O tempo e a paciência são os maiores aliados de um escritor, se ele os tiver, é claro. E a lixeira, se ele for inteligente.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Com muito trabalho. Lembro da regra de São Bento: Ora et labora, Deus adest sine mora. Ou seja, inspiração, trabalho e Deus se apresentará sem demora.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Os sentimentos. A dor de existir. O silêncio de Deus perante as mazelas do mundo. Sentimento é negócio sem tradução, indizivel.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Viver é muito perigoso…” ou vai te lascar macho véi.

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Não consigo pensar em nada, pensar no Brasil me dá um cansaço danado. Lembro do Macunaíma: Ai, que preguiça!

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Sentar diante dela e escrever. Ou então se levantar e ir para rua tomar cerveja e conversar banalidades com os amigos. Eu amo conversar miolo de pote (que na verdade são as coisas mais importantes da vida): futebol, música, mulher, política…

Qual a sua maior alegria ao escrever?

Embalar o livro depois de pronto e postar nos correios para os poucos, mas fiéis leitores.

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Iria aprender a dançar forró. Só escrevo porque não sei dançar forró. É meu trauma de adolescente que exorcizo na escrita.

A literatura em uma palavra.

Solidão.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Aprendi a ser comedido.

Qual sua definição de felicidade?

Tomar cerveja com os amigos e vitória do Ceará Sporting Clube.

O que faz você continuar escrevendo?

Não saber fazer muito outras coisas. Sou um atoleimado confesso. Tenho dificuldade em realizar ações práticas que exigem esforço físico e coordenação motora, por isso, escrevo como confissão de fracasso.

| Entrevista organizada ao som do disco Volume One, de Gotts Street Park |


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Vanessa Passos

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