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Os desafios da recepção | Entrevista com Léo Prudêncio

Léo Prudêncio (@prudencio_leo) fez mestrado em literatura e crítica literária pela pela PUC-GO e publicou os seguintes livros de poesia: Baladas para violão de cinco cordas, Aquarelas: haicais, Girassóis maduros e Curral de peixes. O clitóris de Safo é seu quinto livro de poemas. O autor nasceu em São Paulo, mas vive no Ceará, na terra de Belchior.

Para ele, uma grande realização seria escrever um cordel. E segundo ele, cuidar de plantas “é quase a mesma coisa que cuidar de um poema.”


Caixa-preta é o quadro de entrevistas deste blog. E sendo caixa-preta “qualquer sistema, organismo, função, etc., cujo funcionamento ou modo de operação não é claro ou está envolto em mistério”, representa uma ideia que se aproxima da literatura.

Na sexta-feira, a cada quinze dias, confira uma nova entrevista.


O que a escrita causa em você?

Enquanto escrevo, apenas escrevo. O que vem depois é sempre quando algum texto sai da gaveta e fica público.

Qual a maior aventura de um escritor?

Publicar. Escrever é sempre algo pessoal, íntimo, mas a publicação envolve uma desapropriação daquele material e até um desapego também. Isso de desapego é uma aventura que tem rendido narrativas e poemas. Outra aventura que posso citar é a da recepção, sempre variada, quando encontro com alguém que leu algum livro meu, ou algum poema isolado, é sempre uma aventura de autoconhecimento.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Qualquer um no estilo do cordel. Tenho muita admiração por quem escreve cordéis, acho a escrita dos cordelistas tão visceral, no sentido da linguagem mesmo, aquela coisa de desarticular a linguagem pra fazer ela caber num verso de viola é muito visceral isso. Um dia talvez eu consiga, pra mim seria uma grande realização.

Que livro você jamais escreveria?

Livros que romantizam a emigração de nordestinos. Só quem viveu isso na pele sabe o quanto é difícil. Eu não gosto dessas coisas.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Acho que boa parte já foi dita, o que muda mesmo é a linguagem da mensagem.

Livro bom é…

aquele cuja história ressignifica o leitor.

Escritor é uma criatura…

comum, que paga contas e que vive às turras com o SERASA e o SPC.

Qual o papel de um escritor na sociedade?

Provocador, sempre.

Qual o maior aliado de um escritor?

Duas coisas: Borracha, para o papel, e a tecla Delete, para o computador.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Não discutir com o tempo, saber esperar.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

(silêncio)

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Falta muito ainda pro apocalipse?

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Eu deixaria em branco.

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Saber que ali é um palco vazio à espera de quem a preencha.

Qual a sua maior alegria ao escrever?

Observar a construção de um poema.

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Cuidaria de plantas, que é quase a mesma coisa que cuidar de um poema.

A literatura em uma palavra.

Resistência.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Com esse meu recente livro de poemas (O clitóris de Safo) aprendi que não devemos ter receio da recepção do leitor, por mais delicada que seja a temática, haverá quem saiba apreciá-la.

Qual sua definição de felicidade?

Um estado transitório da alma.

O que faz você continuar escrevendo?

A falsa ideia de continuidade.

*Entrevista organizada ao som do disco Dois, da Legião Urbana


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Vanessa Passos

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