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O que perdemos com a escrita | Entrevista com Rodrigo Tavares

Foto: Diones Alves

Rodrigo Tavares (@rodrigoutavares) nasceu em Bagé em 1986. Reside atualmente em Porto Alegre e é autor de AndarilhosNoite escuraContos sangrentosA tropeada e Ainda que a terra se abra É também o idealizador e curador do FestFronteira Literária, festival de literatura que ocorre anualmente em sua cidade natal.

Ele prefere “passar longe” de “malabarismos literários”. E mais do que trabalho, a escrita, para ele, é uma obsessão.


Caixa-preta é o quadro de entrevistas deste blog. E sendo caixa-preta “qualquer sistema, organismo, função, etc., cujo funcionamento ou modo de operação não é claro ou está envolto em mistério”, representa uma ideia que se aproxima da literatura.

Na sexta-feira, a cada quinze dias, confira uma nova entrevista.


O que a escrita causa em você?

Penso que a escrita, em âmbito pessoal, nada mais é que uma necessidade de deixar escapar as histórias que estão presas e querendo ganhar vida na minha cabeça. Mais que isso, no sentido realmente físico do esforço, é algo que, para mim, lembra a respiração – algo que não posso ficar sem. Gostaria de poder dizer que é meu trabalho, mas trabalho deveria poder pagar minhas contas, então digo que é minha obsessão.

Qual a maior aventura de um escritor?

Ser lido e viajar para falar sobre literatura, conhecer gente que ama ler e escrever. É um mundo possível.

Que livro você gostaria de ter escrito?

A uruguaia (para não dizer o óbvio O tempo e o vento…).

Que livro você jamais escreveria?

Bartebly e Companhia, do Villa-Matas, um dos livros que mais tédio me causou. Não gosto de livros exibidos que pretendem agradar certa “inteligência” bem como qualquer livro excessivamente preocupado com linguagem ou que pretenda ser lido apenas por escritores, daqueles que fazem pouco caso de tramas e personagens. Malabarismos literários prefiro passar longe.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Tenho a impressão de que tudo já foi dito, porém o “como” é dito que pode ser sempre uma grande surpresa – como dizer a mesma coisa, porém, através dos modos e linguagens de outros personagens, autênticos, vivos, que reagem às situações de um jeito só deles.

Livro bom é…

revisado, publicado e lido.

Escritor é uma criatura…

estranha.

Qual o papel de um escritor na sociedade?

Acho que a maioria dos escritores, com seus traumas e pendências, mal e mal tem condições de resolver os seus próprios problemas, então às vezes o papel do escritor na sociedade é superestimado. Assim, penso que o papel do escritor é lidar com seus próprios monstros e, quem sabe, ajudar que outros lidem com os seus.

Qual o maior aliado de um escritor?

A leitura.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Por sorte, não sou poeta e na literatura de ficção há espaço para imperfeições, pois se fosse procurar a palavra perfeita em cada frase, não terminaria nenhum livro. EU gosto de escrever, revisar, cortar gorduras e em alguns momentos usar alguma expressão não tão comum para marcar alguma situação. Sabe aquela palavra que não estaria ali normalmente? Nesses casos cria um efeito – e se eu fizer isso em todas as frases banaliza esse sentimento.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

A impressão que eu tenho é que quando transformo uma ideia em frases, muito do que era genial na imaginação se perde ao cair para a página. O que não pode ser dito é exatamente esse algo que perdemos.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Entrega meus posts!

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Respeitem-se, mesmo opostos.

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Compromisso e rotina.

Qual a sua maior alegria ao escrever?

O ponto final.

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Um dia esse momento vai chegar. Sempre acho que não tenho mais nada interessante para contar e essa hora vai chegar. Primeiro organizaria as obras completas para vender um último livro e depois seguiria lendo e aproveitando tudo de bom que a vida de leitor nos proporciona.

A literatura em uma palavra.

Ar.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Que há um mundo possível.

Qual sua definição de felicidade?

Um bom mate, uma boa companhia e uma boa leitura.

O que faz você continuar escrevendo?

Um pouco de teimosia.

*Entrevista organizada ao som do disco Log time coming, do Jonny Lang


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Vanessa Passos

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