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Múltiplas liberdades | Entrevista com Taiasmin Ohnmacht

FOTO: Camila Hermes/Agência RBS

Taiasmin Ohnmacht (@taiasmin_ohnmacht) nasceu em Porto Alegre, é psicóloga e psicanalista. Autora de Visite o decorado (2019), Vozes de retratos íntimos (2021), prêmios AGES e Açorianos de narrativa longa e finalista dos prêmios Jabuti, São Paulo e da Academia Rio-Grandense de Letras, e Uma chance de continuarmos assim (2023) Relacionada no catálogo Intelectuais Negras Visíveis (2017), lançado na FLIP. Publicou textos nas antologias FakeFicction (2020), Contos de psicanálise (2020) e Travessias de Amanhã (2021)

Para Taiasmin, “há ocasiões em que os personagens ganham vida própria, aí a escritora, o escritor é que precisa correr atrás do texto.” E segundo ela, a literatura serve para nos fazer sonhar, “mesmo que, por vezes, este sonho possa ser um pesadelo.”



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O que a escrita causa em você?

A escrita me dá uma sensação de liberdade, em nenhum outro lugar ou atividade na minha vida tenho essa sensação. Escrever é um ato solitário e de liberdade. Não pode ser confundido com publicar. Publicar é quando damos o direito de outros tomarem contato com o que escrevemos, isso é muito bom também, mas já não se trata da mesma liberdade que temos quando colocamos as primeiras palavras no papel ou na tela.

Qual a maior aventura de uma escritora?

A imaginação, escrever sem saber exatamente no que vai dar, sem saber exatamente o percurso a ser percorrido. Há uma ideia, mas tudo pode mudar no processo. E nem temos o total controle sobre o que vai surgir pelo caminho, sobre o que os personagens vão pedir. Há ocasiões em que os personagens ganham vida própria, aí a escritora, o escritor é que precisa correr atrás do texto.

Que livro você gostaria de ter escrito?

O Processo, de Kafka. Adoraria dar a um texto a sensação de labirinto, provocar o desconcerto na leitora, leitor. Ter um subtexto adjacente ao texto que escrevo.

Que livro você jamais escreveria?

Qualquer um com um tom de autoajuda. Não penso que eu tenha qualquer ideia especial ou experiência que valha a pena ensinar aos leitores.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Não sei o que ainda falta, sei que estamos em um momento no qual a diversidade das formas de existir (negra, LGBTQIA+, indígenas) vão encontrando espaços e falando em nome próprio. É nisso que estou ligada agora. Nem imagino o que venha depois.

Livro bom é…

Aquele que a gente acaba de ler e fica por muito tempo com a gente, aquele que nos provoca reflexões ou que abre nossos horizontes.

Escritora é uma criatura…

Que luta muito para encontrar brechas para escrever, pois tem um cotidiano de muito trabalho e atribuições (dona de casa, mãe, trabalhadora, filha e tantas outras).

Qual o papel de uma escritora na sociedade?

Não gosto da ideia de que exista apenas um papel ou uma missão. Somos muitas, múltiplas formas de viver o feminino e a escrita, espero que esta multiplicidade tenha espaço para existir.

Acho que o papel da literatura é nos fazer sonhar, mesmo que, por vezes, este sonho possa ser um pesadelo.

Qual o maior aliado de uma escritora?

A liberdade de colocar em palavras aquilo que só ela pode dizer, e a possibilidade de ser lida.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Esse é o desafio de toda escritora e escritor, e justamente por sempre haver, em alguma medida, o fracasso nessa missão, é que continuamos escrevendo.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Tudo aquilo que não foi dito ainda. Vamos tentar falar, vamos criar novas expressões, quiçá linguagem! Mas algo sempre foge, e nos mantém falando/escrevendo.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Me esquece!

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Não sou atenta ou observadora dos símbolos nacionais, mas penso muito em como este país é desigual, e na prática, limita o acesso à cidadania de muitos. Então, seria algo assim: Um território para Todes!

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Pensando que ela é tua! Espaço de teu domínio, tu decides o que irá nela e se irás deixar que mais alguém leia. E se permitindo escrever nela qualquer coisa, mesmo que ruim, mesmo que sem sentido, mesmo que indecente. Importante é “se derramar” na folha. Depois a gente altera, apaga e reescreve o que for preciso. Edição existe pra isso.

Qual a sua maior alegria ao escrever?

A possibilidade de encontrar palavras para o que habita meu íntimo, e também criar no papel imagens que só existem na minha cabeça.

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Seguramente contaria histórias oralmente.

A literatura em uma palavra.

Viagem.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Que existem muitas formas de contar uma mesma história, e a escolha de como contá-la faz muita diferença.

Qual sua definição de felicidade?

A cantora Nina Simone disse que liberdade é não ter medo, pra mim isso é felicidade.

O que faz você continuar escrevendo?

A certeza de que sempre tem uma história melhor a ser contada.

*Entrevista organizada ao som do disco Disco, de Arnaldo Antunes


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Vanessa Passos

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