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Leitura e obsessão| Entrevista com Rosana Vinguenbah

Rosana Vinguenbah (@rosana_vinguenbah) nasceu em São Paulo e é radicada em Minas Gerais desde a infância. É bacharel em Ciências Biológicas funcionária pública. É autora do romance Sopa de Pedras (Penalux, 2018) e do livro de contos Relatos insignificantes de vidas anônimas (Caos&Letras, 2021) e participa da coletânea de contos Retratos da Vida em Quarenta (Elefante, 2020). Tem contos publicados em revistas e portais literários.

Para Rosana Vinguenbah, “o escritor iniciante que percebe que não descobriu a “lâmpada” não deve se sentir frustrado.” O que a leva a escrever é uma inquietação, que a “atrai para o papel”.


Caixa-preta é o quadro de entrevistas deste blog. E sendo caixa-preta “qualquer sistema, organismo, função, etc., cujo funcionamento ou modo de operação não é claro ou está envolto em mistério”, representa uma ideia que se aproxima da literatura.

Na sexta-feira, a cada quinze dias, confira uma nova entrevista.


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O que a escrita causa em você?

É uma sensação muito individual e satisfatória, quando uma ideia surge ainda ingênua e se transforma em uma história completa, com nuances, percalços, reviravoltas e o autor consegue enxergar que aquele lampejo inicial pode causar algum tipo de emoção ou sentimento no leitor.

Qual a maior aventura de uma escritora?

Ser lida. Sabemos que os gostos são muito pessoais e que um escritor ou escritora nunca vai agradar a todos. É preciso ter coragem para enfrentar a crítica e sabedoria para discernir o que precisa ser descartado daquilo que irá contribuir para o aprendizado e crescimento pessoal. Essa aventura ainda inclui lidar com as facetas do mercado editorial, com a formação de um público fiel, com a necessidade de se posicionar com escritora e por aí vai.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Essa é uma pergunta difícil porque eu já li livros excepcionais em que parei para pensar – “putz, que livro é esse?” – mas vou escolher dois: um clássico e um contemporâneo. Primeiro, As Lembranças do Porvir da Elena Garro que é um clássico do Realismo Mágico e me causou um deslumbramento quando eu li. É uma pena que não tenhamos acesso ao restante da obra dela no Brasil. O segundo é Tempo de Espalhar Pedras do Estevão Azevedo que ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura 2015 e foi publicado pela Cosac & Naif inicialmente e agora está na Cia das Letras. Esse é um livro visceral em que o trabalha o real e o surreal de modo calculado e excepcional.

Que livro você jamais escreveria?

Autoajuda e Literatura Erótica. Cada escritor(a) tem suas preferências e essas não são as minhas. Eu gosto do movimento, de gente, da capacidade de criar atmosferas diversas, de retratar o cotidiano, de apresentar possibilidades inimagináveis ao leitor.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Somente aquilo que ainda não existe. Tudo já foi dito de diversas maneiras. E o que importa é o ponto de vista de cada escritor. Não há tema inédito na Literatura. Por isso, o escritor iniciante que percebe que não descobriu a “lâmpada” não deve se sentir frustrado. É preciso muita leitura e estudo para perceber que um tema pode ser trabalhado de diversas maneiras. Haja vista, a Ficção Científica que sempre trouxe temas futuristas e inovadores, que hoje já não são tão absurdos assim. 

Livro bom é…

aquele que o leitor não quer que acabe. Aquele que captura o leitor de forma que as sensações visuais, auditivas, olfativas, gustativas, táteis e espaciais sejam aguçadas durante a leitura. É como eu pensar em um limão e minha boca se encher d’água, mesmo que eu não tenha um limão na minha frente.

Escritora é uma criatura…

Obsessiva. Ôooooo bixo pra cismar com uma coisa que enquanto não é feita não dá sossego. A ideia fica martelando na cabeça. Tum, tum, tum. É no chuveiro, é lavando louça, é na academia. E ouso dizer que enquanto a ideia tá ali fervilhando na mente, a escritora fica surda e não ouve nada do que estão falando ao redor.

Qual o papel de uma escritora na sociedade?

Disseminar ideias, debater o cotidiano e os problemas sociais, produzir reflexões que transcendam as páginas do livro, educar através dos recortes escritos.

Qual o maior aliado de uma escritora?

Com certeza é a leitura. Sem leitura não há escrita. Através da leitura é possível entender a linguagem que se deseja alcançar. Uma pessoa que não lê, dificilmente terá repertório para escrever um texto de fôlego e cometerá erros primários durante a sua escrita.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

De novo tenho que citar a leitura. É com a leitura que encontramos o modo de escrever que estamos procurando. Sem a leitura constante dos nossos pares, de autores pelos quais nos identificamos não é possível formar um banco de dados mental, que irá auxiliar durante a escrita. O uso do dicionário de sinônimos também é fundamental para não corrermos o risco de tornar nossa escrita clichê e lotada de vícios.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Penso que quase tudo pode ser dito, mas há algumas sensações ou sentimentos que por mais que nos esforçamos para reproduzir, sempre serão um vulto em meio à névoa.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Sr. Algoritmo, tira o pé do meu perfil.

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Viva la Revolución

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Estudar, pesquisar, ler e criar um repertório antes da escrita propriamente dita.

Qual a sua maior alegria ao escrever?

Ser lida.

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?


Eu leria mais e mais para me apropriar da escrita do outro.

A literatura em uma palavra.

Percepção

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

A ter paciência e aprender com os erros.

Qual sua definição de felicidade?

Felicidade é ter aquilo que necessitamos para uma vida digna. Nem mais nem menos. Ter relações familiares e sociais saudáveis e a possibilidade de exercer a liberdade sem ferir o direito do próximo. É ser humilde, generoso e grato por aquilo que conquistamos.

O que faz você continuar escrevendo?

Uma inquietação que me atrai para o papel. A vontade de inventar, reinventar e delirar, se for necessário.

*Entrevista organizada ao som do disco David Gilmour, de David Gilmour


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Vanessa Passos

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