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Enxergar as sombras | Entrevista com Ana Paula Bellot

Ana Paula Bellot (@anapaulabellot) é escritora, bióloga e professora. Suburbana apaixonada por seu lugar no mundo, amante das artes e da literatura, exprime suas paixões através das palavras. Possui diversos contos aprovados em revistas e antologias, além de publicar em seu blog pessoal. É autora do livro de contos O sangue nosso de cada dia.

Segundo Ana Paula Bellot, “a literatura não consegue dar conta do óbvio”. E para ela, a escrita “te deixa nu sem pedir licença.”


Caixa-preta é o quadro de entrevistas deste blog. E sendo caixa-preta “qualquer sistema, organismo, função, etc., cujo funcionamento ou modo de operação não é claro ou está envolto em mistério”, representa uma ideia que se aproxima da literatura.

Na sexta-feira, a cada quinze dias, confira uma nova entrevista.


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O que a escrita causa em você?

Tormenta, insônia, quietude e esperança.

Qual a maior aventura de uma escritora?

Continuar escrevendo, mesmo que no meio da tempestade, em alto-mar.

Que livro você gostaria de ter escrito?

O Som e a Fúria, de William Faulkner.

Que livro você jamais escreveria?

Uma autobiografia.

O que ainda falta ser dito em literatura?

O óbvio. A literatura não consegue dar conta do óbvio. Precisamos de mais e mais livros.

Livro bom é…

aquele que consegue escancarar as sombras que todo mundo tenta esconder.

Escritora é uma criatura…

vampírica. Rouba o sangue de todo mundo, não dá crédito e ainda tem raiva daqueles que andam de dia! 

Qual o papel de uma escritora na sociedade?

Desmontar ídolos.

Qual o maior aliado de uma escritora?

Cafeína, de qualquer tipo. A minha, por exemplo, vem do capuccino.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Afiando o lápis na pedra até deixá-lo cortante. É por isso que não acredito em literatura expressa. A palavra exige tempo.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Tudo pode ser dito em palavras. Algumas coisas em frases, outras em livros. Dante, por exemplo, fez o que ainda considero impossível: desnudou a alma humana em um poema. Depois disso, não há mais nada que a palavra não abrace.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

“Não derrube meu alcance, por favor.”

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

“Ainda sentimos fome aqui.” 

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Com tesão! A criação, primeiro, precisa de uma certa dose de prazer.

Qual a sua maior alegria ao escrever?

Sentir que estou colocando uma ideia para fora, doando minha criatividade ao mundo. Venham e peguem! Tenho vontade de gritar. 

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Viraria uma leitora frustrada.

A literatura em uma palavra.

Essência.

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Com a escrita aprendi a enfrentar a minha imperfeição. A do outro é fácil. Todo mundo gosta de vê o espetáculo alheio. Mas a nossa… dói. Enxergar certas sombras que escapam pelos dedos, sabe? A escrita faz isso, te deixa nu sem pedir licença.

Qual sua definição de felicidade?

Família. Amigos. Arte.

O que faz você continuar escrevendo?

Não dou conta de mim mesma. Sem a arte, nada sou. As palavras formam minha estrutura. Não tem jeito, nem escolha. É um caminho sem volta. É muito bom, mas é sem volta.

*Entrevista organizada ao som do disco The 7th Song, de Steve Vai


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Vanessa Passos

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