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A língua particular | Entrevista com Fernanda Vivacqua

Fernanda Vivacqua (@vivacquaafer) nasceu no Rio de Janeiro, cresceu em Juiz de Fora (MG) e, atualmente, vive em Porto Alegre. Graduada e mestra em Estudos Literários pela UFJF, cursa doutorado homônimo na UFRGS. Como poeta, publicou Maria Célia, pela Edições Macondo (2016; 2018), e para os homens que não amam as mulheres, pela Capiranhas do Parahybuna (2018), coletivo editorial do qual faz parte. Integra a Antologia Furos na carne (2022), da Oficina de Criação Literária da PUCRS, ministrada por Luis Antonio de Assis Brasil

Para Fernanda, o futuro é “um projeto poderoso da palavra que ainda nos escapa à imaginação”. E segundo ela, uma escritora tem dois compromissos: com a palavra e com ser escritora em “num país tão desigual e preconceituoso”.



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O que a escrita causa em você?

A escrita me causa deslocamentos. Acredito que, pela leitura, somos confrontados com sensações e efeitos diversos, inapreensíveis pelo cotidiano, e acessamos mundos. Dessa maneira, quando escrevo, procuro me deslocar, me transformar em outra, para que isso também se desdobre na experiência leitora.

Qual a maior aventura de uma escritora?

Escavar uma língua sua, particular, estreitando relação com a língua materna e tornando o ouvido, cada vez mais, atento às vozes circundantes.

Que livro você gostaria de ter escrito?

Não me lembro de pensar “gostaria de ter escrito esse livro”, mas foi o que me passou pela cabeça quando li pela primeira vez o poema “As amargas sim”, da Hilda Machado. 

Que livro você jamais escreveria?

Uma autobiografia.

O que ainda falta ser dito em literatura?

Nada, e sempre poderemos falar das mesmas coisas de formas diferentes. Por outro lado, acredito na potencialidade do imprevisível, das originalidades em devir. Nesse sentido, entendo o futuro como um projeto poderoso da palavra que ainda nos escapa à imaginação.

Livro bom é…

Aquele que chega primeiro ao corpo.

Escritora é uma criatura…

Humana, o que é muita coisa.

Qual o papel de uma escritora na sociedade?

Talvez seja perigoso definir, estritamente, um papel, mas sempre penso em dois tipos de compromisso que se apresentam, ao menos no horizonte. Um, o trabalho com a palavra. O outro, entender (na prática) o que é ser escritora num país tão desigual e preconceituoso, e como nossas escolhas se somam ao projeto de território que queremos endossar e/ou construir. 

Qual o maior aliado de uma escritora?

O tempo, tanto o cotidiano, quanto o que atravessa a vida.

Como encontrar a palavra certa, o termo justo, a frase ideal?

Com intimidade, convivendo com o texto, as palavras e os termos.

O quê que não dá para ser dito com palavras?

Muita coisa, sobretudo aquilo que se coloca no limite da experiência humana. O curioso, para mim, é como falamos dessas vivências, ainda que não seja possível.

Se você pudesse, o que diria para o algoritmo?

Tenha calma, a festa é longa.

E se você pudesse mudar o lema da bandeira nacional para um que representasse o Brasil atual, para qual seria?

Vivos e bem.

Qual a melhor maneira de encarar a página em branco?

Rascunhando, rabiscando: escrevendo para rasurar a página e, assim, fazer com que ela perca a mistificação que esse vazio pode causar. 

Qual a sua maior alegria ao escrever?

Criar uma forma única a algo que dançava, disperso, próximo (dentro) de mim. 

Se você não pudesse mais escrever, o que faria?

Consigo me imaginar sem publicar, mas, dificilmente, sem escrever literatura. Porém, se me ocorresse, imagino que me tornaria uma pessoa obsessiva com listas e bilhetes, mensagens curtas – coisas das quais já gosto bastante. Ou seja, daria mais trabalho aos amigos. 

A literatura em uma palavra.

Magia. 

Qual a coisa mais importante que você aprendeu com a escrita?

Acredito ter sido o entendimento de como é importante estarmos atentos à produção viva do nosso tempo, sem perder de vista a necessidade de uma voz própria. Ou seja, escavar essa língua particular, da qual falava, estando no mundo, cada vez mais no mundo.

Qual sua definição de felicidade?

Estar com as pessoas que eu amo, em torno de uma mesa farta.

O que faz você continuar escrevendo?

Continuo escrevendo porque me desconheço de outra maneira. Criando mundos, sei que estou viva e piso um chão.

*Entrevista organizada ao som do disco Um som, do Arnaldo Antunes


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Vanessa Passos

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